Witzel denuncia golpe político para tomada do governo do Rio
O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, afirmou em entrevista ao jornalista Joaquim de Carvalho, no Brasil 247, que foi vítima de uma articulação política que buscou retirá-lo do cargo para que um grupo ligado ao governador afastado Cláudio Castro e à Assembleia Legislativa assumisse o controle do Estado. Segundo Witzel, “deram um golpe para roubar o Rio de Janeiro”, declaração feita no contexto das recentes operações da Polícia Federal que atingiram Castro em investigações relacionadas ao Banco Master, RioPrevidência, Cedae e supostos esquemas de corrupção na gestão fluminense.
Impactos administrativos e deterioração política após afastamento
Witzel destacou que os sinais de deterioração política e administrativa começaram após seu afastamento em 2020. Durante seu governo, ele afirma ter adotado medidas de controle, transparência e moralização que contrariaram interesses de deputados estaduais. “O que aconteceu em 2020 foi uma revolta dessa gangue que hoje ocupa a Assembleia Legislativa”, disse, acrescentando que, embora nem todos os parlamentares façam parte do grupo, os que não pertencem foram coniventes.
O ex-governador classificou seu impeachment como uma “armação” conduzida por parlamentares que buscavam ampliar sua influência sobre o orçamento e os cargos do Estado. Segundo ele, não houve comprovação de desvio de recursos durante sua gestão. “Se você perguntar para as pessoas de que tratou o impeachment, ninguém sabe. Não teve desvio nenhum comprovado porque não houve”, afirmou.
Críticas à Assembleia Legislativa e comparações com a gestão anterior
Witzel também criticou a Assembleia Legislativa por não reagir aos escândalos posteriores envolvendo a administração de Cláudio Castro, citando casos como Ceperj, Refit, Banco Master e os investimentos do RioPrevidência. Para ele, esses episódios deveriam ter provocado questionamentos mais rigorosos. “Jamais comigo você teria Ceperj, teria Banco Master, teria leniência com a Refit”, declarou.
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Durante a entrevista, o ex-governador explicou que, em sua gestão, os investimentos do RioPrevidência eram direcionados a instituições financeiras de primeira linha, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, BTG e BNP Paribas. Após a saída da equipe indicada por seu governo, surgiram outras instituições, incluindo o Banco Master. “Foi algo planejado para dar acesso a essas instituições de segunda, terceira, quarta, quinta linha”, afirmou.
Patrimônio de Cláudio Castro e situação pessoal de Witzel
Ao comentar a evolução patrimonial de Cláudio Castro, após exibição de imagens de uma cobertura atribuída ao governador afastado, Witzel afirmou que Castro não possuía imóvel semelhante quando foi escolhido para compor a chapa de 2018. “Ele morava no apartamento no Península, mas não tinha essa suntuosidade toda”, disse.
Witzel afirmou que continua residindo no Grajaú e negou apresentar sinais exteriores de riqueza. Até o momento, ele declarou não ter nenhuma condenação ou responder a ações de improbidade. “Até hoje, eu não tenho nenhuma condenação. Não respondo a nenhuma ação de improbidade”, declarou.
Rompimento com Jair Bolsonaro e análise sobre Banco Master
O ex-governador atribuiu parte de sua queda a uma articulação política que envolveu o rompimento com Jair Bolsonaro. Ele afirmou que informações levadas ao então presidente, por meio do caso conhecido como Abin Paralela, contribuíram para a ruptura da base política que sustentava seu governo.
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Sobre a relação entre Cláudio Castro, Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, do Banco Master, Witzel afirmou não ver provas de vínculo direto entre os investimentos do RioPrevidência no banco e eventual financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro. “Não vejo nenhum elemento probatório que possa fazer essa vinculação. Pode ser que surja algo mais à frente”, comentou.
Pré-candidatura ao governo do Rio e desafios futuros
Witzel declarou ser pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo Democrata 35 e afirmou estar elegível, já que a punição decorrente do impeachment tinha prazo de cinco anos, que já foi cumprido. “Estou elegível, plenamente apto a disputar a eleição”, afirmou.
Ao finalizar a entrevista, o ex-governador defendeu que a imprensa reflita sobre o papel que desempenhou em 2020 e abra espaço para candidaturas que apresentem propostas concretas para o Rio. Ele pretende focar na segurança pública, economia e reorganização das contas estaduais. “Nós precisamos amadurecer como sociedade e imprensa. Tenho muito para contribuir, já mostrei isso ao revelar a podridão da política do estado do Rio de Janeiro”, concluiu.

